O meu nome é Sofia, sou bióloga, defensora dos direitos dos animais e amante da natureza. Durante o curso de Biologia nasceu a minha paixão pelas células — estruturas microscópicas que, embora invisíveis ao olho humano, detêm um poder absolutamente extraordinário. Fascinava-me compreender como conseguem organizar-se com tamanha precisão para construir puzzles gigantescos e complexos: nós próprios e os organismos que nos rodeiam.
Esse encantamento conduziu-me à Biologia do Desenvolvimento, uma área que se atreve a colocar questões quase filosóficas: como é que uma única célula — o zigoto — dá origem a um organismo completo? Como “sabem” as células se devem tornar em pele, músculo ou neurónios? Esta curiosidade levou-me a um doutoramento em Biologia Molecular e Celular (i3S/ICBAS), onde me dediquei ao estudo da polaridade celular. Tal como o nosso corpo tem cabeça e pés, as células possuem “lados” distintos, com funções específicas. Esta polaridade é essencial para o funcionamento celular e, quando perturbada, pode originar comportamentos desregulados que conduzem ao cancro.
Para compreender estes mecanismos, trabalhei com Drosophila melanogaster, a mosca-da-fruta — pequena e discreta, mas de enorme valor para a ciência. Apesar das diferenças evidentes, partilha connosco muitos dos genes associados a doenças humanas. Atualmente, como investigadora júnior, estudo o citoesqueleto, o “esqueleto” interno que confere forma e estrutura às células e desempenha um papel central na arquitetura epitelial, sendo crucial para a manutenção da polaridade celular. Alterações nesta estrutura estão na base de várias patologias, incluindo o cancro.
Mas a vida não se esgota no trabalho. Encontro equilíbrio nas pessoas que amo, na Luna — a minha cadela —, na leitura e no desenho. E, no meio de tudo isto, fui percebendo ao longo dos anos que a maior lição que a ciência me deu foi esta: cuidar de nós é essencial. Porque, tal como as células, a vida assenta numa arquitetura delicada, sustentada pelo equilíbrio.
TÍTULO: Arquitetura do Invisível: Polaridade e Citoesqueleto na Progressão do Cancro
PALAVRAS-CHAVE: Tecido epitelial | Polaridade Celular | Citoesqueleto
TEMA: Biologia Celular e Molecular
